quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Conjuração

Que se desfaça toda conjuração Todo mal feito Toda desunião
Que venha o novo desterrando o velho Tudo que magoou Tudo que se insuportou
Do bom proveito se aproveite o bom
Do choro a pauta Do interrogno a falta
Do luto a labuta

Das verborragias que não se consumiram Sumiram
Dessa força dessa flor no peito
Aleito-me Em ti, no teu colo me ajeito, e deito...
Retroaja todo esse descontentamento
Que leve a cisma esse vento Sofrimento lamento...

Faço do pó que se moeu a pedra Ungüento cimento...
Enterro a dor com uma pá de cal
Do amor sem mal.

Manoel Pacífico

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

domingo, 14 de dezembro de 2008

“Oração de Maria madalena”

Perdoai Deus, perdoai.
A todos que me insultaram
Aos que me difamaram, não como prostituta.
Mas como adultera, pois sempre fui apenas do teu filho.
E apenas dele.

Aos que no golgota pensaram que daria fim a nossa missão
E no nosso amor.
Aos apóstolos, que disseram maldito é o fruto do vosso ventre.
Perdoai Deus, perdoai.

Daí teu misericordioso perdão aos que até os dias de hoje
Renegam o cálice sagrado, seja por ignorância ou por conveniência, pois a
palavra tornou-se mercadoria nas mãos
dos vendilhões a porta do templo.

Perdoai Deus, perdoai.
Aos que refutam o fato D´eu ter sido a apostola mais amada.
Odeiam-me por ter carregado o sangue real, e propositalmente...
O confundem com um copo.

Ser criador não antropomórfico, acima de todas as questões e todas as razões
mergulha essa “humanidade” com tua piedade.
Descerra as traves dos olhos dos teus “filhos” inundando-os com a
transcendente luz da consciência e da verdade.

Perdoai Deus, perdoai.
A todos que em prol da divinização de Jesus incoerentemente esqueceram da
humanização do messias.
Pois se o assim tivesse feito, a palavra não tivesse sido tão corrompida.

Perdoai Deus, perdoai.
Mas protegei também nossa dinastia de todos que a ameaçam assim como o
senhor fez quando fomos para o Egito.
Pois chegará o dia que a revelação se fará, e não haverá fariseu algum com
suas vestes bordadas a ouro, caduceu e palácio de mármore que possa impedir.

Que assim seja.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

sábado, 2 de agosto de 2008

Seios

Montes simétricos e fartos
Devaneios obscenos e castos
Volúpia de te tocar
Atalho pra te amar

Pontos sensoriais
Volumes sensacionais
Afiados e pontiagudos
Escandalosos porem mudos

Prisioneiros da tua justa blusa
Detalhes pra esculpir a musa
Taça pra servir o mel
Nudez que não se esconde ao véu

Eriçados desafiando a gravidade
Macios em suavidade
Mãos que lhe tateiam sutilmente
Calor que nos consome febrilmente

Lácteo reservatório mater
Farto dormitório pater
Nus em destaque carnavalesco
Quase ocultos no pincelar do afresco


Manoel Pacífico

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Tudo e Nada

O vazio é um lugar onde o nada preenche o obvio
De verdade nunca é nada e nada sempre tem algo de tudo
Peguei meu saco de incongruências e soprei
E dentro se encheu com tudo que eu não tinha
E continuou escasso de conteúdo, teria eu o vazio de fé
Ou de idéias que não me aprovariam a Santa Sé
Um todo pragmático incompreensível, indigerível
Sinto-me abarrotado de falta de muitas coisas
Meu âmago regurgita ponderações que não tomam forma concreta
Abstração de quem divaga sobre o que não compreende
Entende!
Não?
Quem é o vazio agora, eu você todos...
Sigo acumulando questões que covardemente deixo pra meu estomago resolver
Prossigo adiante tocado pela inércia de viver, por movimentos involuntários
Por sentimentos donatários e capitãneados.
Manoel Pacífico

sábado, 10 de maio de 2008

O Caminho do Meio

Uma vez, lembro-me de ter visto o filme “O Pequeno Buda” Estória que contava a busca de um grupo de monges do Butão pela reencarnação de um Lama famoso (líder espiritual budista) que veio Baixar em terras do tio Sam EUA, o Lama Dorge se não me falha, e nunca falha minha memória. Eles tentavam explicar ao menino e a sua familia o que era o budismo, e quem foi Buda o iluminado (Sidharta Gautama) este representado pelo nosso eterno Neo, Keannu Reaves. Numa das tantas cenas a que mais me chamou a atenção foi quando Sidharta “que era ainda um príncipe playboyzinho e rebelde sem causa aprendiz de Buda” após ficar jejuando e imóvel em uma posição desconfortabilissima por 7 sofridos anos, alimentava-se das fezes dos pássaros que por ali pousavam e defecavam em sua divina boca, e bebia água da chuva. Um dia ele notou uma folha subindo a correnteza do sagrado rio Ganges. Essa pitoresca visão fez com que “Neo” chegasse à conclusão que não era se retirando do mundanismo ou flagelando-se que ele alcançaria a tão almejada iluminação. A folha subindo a correnteza simbolizava que apesar de tudo e de todos podemos chegar aonde queremos pelo meio termo, “O caminho do meio”. É lógico que os outros Sadus (eremitas espiritualizados) companheiros de tortura de Gautama ficaram meio contrariados com essa decisão de não mais se expor às intempéries e lhe deram as costas. A partir disso ele resolveu conviver com as mazelas humanas para aprender e ensinar pelo amor e pela dor, se não aceitando ou endossando as atitudes, compreendendo-as e não criticando.

Sidharta levou breves 7 anos pra chegar a essa clara e concisa conclusão, o filme é de 1993, estamos em 2008. Como eu não sou nenhum iluminado, levei longos e sofríveis 15 anos, se não me falha, e nunca me falha a boa a velha tabuada.

Aborrecimento é uma coisa que a maioria das pessoas procura evitar, ou ao menos assim pensam. Pois bem, a nossa incompreensão, intransigência, e doentia compulsão ao preconceito, são fontes profícuas de mal estar, inimizade, insociabilidade e outras ranzinices do gênero.

Não que a partir de amanha você deve aceitar e acatar com boa vontade tudo aquilo que lhe é despejado goela abaixo sem nenhuma chance de discordar. Ter uma opinião deve ser algo de foro intimo que só deve ser levada a parte discordante quando você presume que a outra pessoa terá a sensibilidade de também respeitar as suas convicções. Caso contrario isso se tornará uma pendenga ideológica irritante no qual todo mundo fala e ninguém tem razão, pois todos temos nossas razões.

Obvio que esse tipo de pensamento é quase que um exercício de utopia, o que nós queremos mesmo é discordar e criar polemica “alguns com mais prazer”, mas se pudermos em doses homeopáticas praticar esse preceito do “O caminho do meio” notaremos que todas as conseqüências deflagradas pela nossa inabilidade de lidar com as diferenças amenizar-se-ão.