segunda-feira, 11 de julho de 2011

Pele



Felicidade que tenho e sinto
Sou fiel nem minto, visualizando o sol.

Tenho no espirito a vontade de dar voltas e voltas
Da minha pele coberta ou nua, me vejo só me vejo tua
Luz, trevas disciplina de diferenciar em cada humor.

Minha vida tem vários espectros e não somente uma cor.
Cubro em véu, desço do inferno ao céu.
Beijo chocolate, tinta e criança
Quantos movimentos nessa dança.

Descanso numa nuvem de um sonho que ainda não dormi
Acordado e lúcido inebriados sem torpor ou amor
Negra mulher de muitas vontades de muito anseios
Coisas profanas desejos.

Beijo incompreensível invisível
Canção de notas concisas, harmônica.
Tudo possível
Realizado atônita...

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Pecado

A intangibilidade do teu desprendimento é tão única,
Que tua volúpia se faz em mascaras de lascívia.
Como mulher que ama e é amada por todos os sexos.

Bocas berbes ressecadas de blend e sol tocam teus lábios,
Outras macias em tom de batom carmim deslizam
Despudoradas pelo teu púbis.

Tua transmutação de fêmea encobrindo outra fêmea,
No frêmito de carnes que tremulam orgásticas.
Algemas soltas de um prazer que faz explodir em
Em tezão incontido.

Quero ver-te obscenamente nua nos braços de outra felina
De pele crua selvagem e aveludada.

Negra como o véu que recai sobre todos os preconceitos,
Puta que tem como a “paga” o valor da beleza e do gozo.
Ré culpada por fazer minha vida ter sentido,
Culpada por me querer me amar.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Iara Marina

Todos os dias que vejo o mesmo e só
Minhas ideias em vulcão
Minha inspiração em nó
Tenho fome do novo da ebulição
Minha sede ficou presa, vontade acesa.
Essa gana, intuição presa.
Quero sair de tudo aqui que me encarcera
Preciso do mundo
A vida me espera
Recolho as mãos em braços cruzados curvados
O parto das minhas asas na dor das palavras
Verbos na ação da graça de ser eu mesmo quando todos esperam outra
Um alguém que não é mais eu , nem será jamais
Estou partindo desamarrada do cais
Das bocas que me beijaram deixo secar a saliva num adeus de Deus
Das que nem me tiveram, melhor assim sentiram menos...
Vento de impulso tem vida tem o mar.
Sou mulher
Menina
Iara Marina

terça-feira, 24 de maio de 2011

BRUNA

Sinto que o sol que se esconde por detrás das chuvas
Faz-me esperar pelo meu dia belo
Que não seja tardio e me traga rugas.

Traduzo as cores que a minha mente vê num sonho cru
Na minha pele, nos meus cabelos, nas minhas roupas.
Vestes que são muitas e ao mesmo tempo poucas
Deixo voar num vazio de muitas coisas, completas de um tudo que o nada preenche o nu.

Continuo a andar, nadar, deixar o corpo na sua inercia seguir
Quero sempre me mover, quero ir
Acompanha apanhada empenhada e nunca só
Junto comigo mesma em par.

Das perdas e das pedras acho e junto
Cimento e rejunto
Ideias meias que calço meus pés do frio que sinto do incompleto
Meu caminho é curvo num mundo reto
Na sua rota em brumas
Nuvens suspensas em “Dreamings” Brunas...


Manoel Pacífico

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Fernanda

Absurdamente lúcida
Minha sanidade conquistada
Excitada mente úmida
Percepção dilatada

Fé é duvida metafísica da lei.
Pessoalidade real
Não me questiono, eu sei.
Do meu bem, nasce meu mal.

Arbítrio inalado sutil
Percepção dosada
Dor gozo pueril
Ego emoção parada

Arquétipo inventado
Imaginação de icaro em fases
Sorriso roto, beijo molhado.
Minha fobia não mais me persegue, fizemos as pazes.

Nego a moda, sou assim, eu sou.
Despojada de consumos, me rodo ciranda.
Não volto me solto eu vou.
Gargalho na dança, me vejo Fernanda.

Manoel Pacífico

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Veneza

Minhas mascaras são muito frágeis
Feitas de papel arroz
Meu suor as derrete
Eu transpiro muito quando me vejo frente a uma declaração de sinceridade
Tal quais as asas de Icaro perto do sol.

Minhas mascaras são muito frágeis
Porcelana chinesa
As inquirições paquidérmicas esbarram-me de um modo atabalhoado
Nem um só caco sobra, nenhuma cola é suficiente pra tantos pedaços.

Minhas mascaras são muito frágeis
Éter que se esvai
Uma leve brisa de argumentos a leva mundo afora
Precisavam de mais moléculas de veracidade pra formar nuvem

Quem me dera dispensar as mascaras
Mas não posso ser mais de eu mesmo.
Em varias partes como tantos exigem
O medo de nem saber qual é a face, quem realmente sou.
Mais um dia
Mais um mês
Mais um ano
Mais um baile de mascaras...

Manoel Pacífico

domingo, 6 de junho de 2010

O Poeta

O poeta se alimenta da musa, da carne dela, dos beijos, das ameaças de
abandono e das promessas de amores incondicionais.

Ele vive da vida, vive a vida, mas não depende dela pra continuar poeta, pois o poeta nunca nasceu e nem nunca vai morrer. O poeta depende da musa, tanto quanto ela depende do poeta, um não se materializa sem o outro.

As estrelas brilham, mas só são notadas pela rima e a prosa do poeta, sem
ele estas não passariam de hidrogênio incandescente no firmamento. O poeta
discipou o sal da lua e a adocicou, beijou o mar e conseguiu dar sentido de
beleza no violento quebrar de ondas na praia.

A musa e o poeta , caso vocês não saibam, vivem uma historia de amor
antagonizada com ódio. Sem ele as palavras não passam de rabiscos
desconexos, frases soltas frias e glaciais orbitando um quadrante espacial
permeado de anti-matéria, anti-extase, anti-amor.

No principio era o nada ,quando o poeta falou fez-se o tudo, e quando o
poeta calou-se se ouviam fragmentos de frases do seu silencio.
A musa matou o poeta, e o poeta amou a musa.

Manoel Pacífico